A variação entre as formas "IIII" e "IV" para representar o número 4 é de certa forma uma evolução histórica, tradições religiosas e design visual que influenciaram diferentes artes e culturas ao longo do tempo.
O sistema numérico romano nunca foi 100% padronizado na antiguidade como é ensinado hoje nas escolas. A coexistência dessas duas formas deve-se principalmente aos seguintes fatores:
O método aditivo original vs. método sustrativo modernoOriginalmente, o sistema romano baseava-se em um princípio aditivo. Para escrever o número 4, os romanos simplesmente desenhavam quatro riscos (IIII), assim como faziam para contar nos dedos ou marcar varetas. O princípio subtrativo (IV, que significa 5 menos 1) surgiu e se popularizou muito mais tarde, durante o período imperial e a Idade Média, para economizar espaço em pergaminhos e monumentos.
Tradição religiosa e respeito aos deusesNa Roma Antiga, o deus supremo da mitologia era Júpiter, cujo nome em latim clássico era grafado como IVPITER (onde as letras I e V funcionavam como J e U). Para evitar o uso herético ou o "desperdício" do nome de uma descoberta em anotações cotidianas, relógios de sol ou calendários, os romanos preferem manter a grafia tradicional IIII.
A simetria nos relógios (A Estética da Relojoaria)Se você reparar na maioria dos relógios antigos e modernos do mundo todo (incluindo o famoso relógio da Estação da Luz em São Paulo ou relógios de marcas famosas como a Rolex), o número 4 está escrito como IIII. Os relógios escolhem o "IIII" por dois motivos visuais práticos.
Equilíbrio visual: O bloco IIII cria uma simetria perfeita na linha vertical com o número VIII (8) do outro lado do mostrador. Se usarmos "IV", o lado direito do relógio pareceria esteticamente muito mais "leve" do que o esquerdo.
A regra dos terços: ao usar IIII, o relógio fica dividido perfeitamente em três blocos de quatro: as primeiras 4 horas usam apenas o símbolo I (I, II, III, IIII); as quatro seguintes usam o símbolo V (V, VI, VII, VIII); e as quatro últimas usam o X (IX, X, XI, XII).
Caprichos reais e lendas europeias, existem também anedotas históricas na Europa que ajudaram a eternizar o uso do "IIII" em certos países. Uma história famosa aponta que o rei Carlos V da França, no século XIV, teria ordenado que um relojoeiro mudasse a inscrição do relógio do seu palácio de IV para IIII por achar que "IV" trazia azar (por subtrair 1 do seu título). Outra lenda semelhante envolve o rei Luís XIV. A partir dessa descoberta do corte, a fabricação de relógios europeus descobriu o formato como padrão tradicional.
Embora em documentos de texto e livros de história o formato IV seja uma norma globalizada adotada pela educação moderna, a forma IIII continua viva e correta no mundo do design e da relojoaria tradicional internacional.

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